A matança do porco era, outrora, um ritual que se revestia de grande importância para as comunidades rurais. José Manuel Silva, residente em Raso, freguesia de Gafanhão e concelho de Castro Daire, aprendeu esta arte com o seu avô, que era de Nodar. Teria cerca de 14 anos. 

O animal, conta-nos, era retirado do curral para o carro de vacas, onde era feita a matança, recolhendo-se o sangue para os enchidos. Depois de chamuscado com tojo, carqueja ou palha e esfregado, era pendurado e retiravam-se as tripas, o bofe e as fissuras.  

No próprio dia ou no seguinte, fazia-se a desmancha e todas as partes do porco eram devidamente aproveitadas, sendo guardadas na salgadeira. 

José Manuel Silva chegou a matar 40 porcos por época, pois este era um bem para os lavradores, que assim tinham sustento para o ano todo, mas a tendência perdeu-se, sendo substituída por outros hábitos de consumo e de conservação.