Orlando Figueiredo é descendente de uma família de ferreiros e cresceu a ver o seu avô e o seu pai a fazerem as alfaias para os lavradores, peças para os carros de vacas e material para a construção civil.
Mesmo quando ainda andava na escola, já se refugiava na oficina para ver trabalhar o ferro. Entre uma coisa e outra, tinha as brincadeiras próprias da idade e que incluíam jogar à bola, às escondidas e fazer corridas com os amigos.
Paralelamente, a família estava – e continua – ligada à agricultura. Juntamente com a esposa, Orlando Figueiredo trabalha as terras, cultiva milho e vinho, e cria vacas, porcos e o rebanho de ovelhas. Entre os animais que negoceia, destaca a Vitela de Lafões, já certificada, nomeadamente a raça arouquesa, cujas caraterísticas a tornam única.
Com o sustento a vir do labor agrícola, há sempre muito a fazer, nota. O ciclo das videiras, a manutenção da horta e o roçar do mato que irá fermentar em medas para o estrume a usar nas terras estão entre as tarefas a desempenhar.
Conta o habitante que a maquinaria veio revolucionar o setor, mas há aspetos que se mantêm, como as partilhas da água, que, correndo a vez a todos, foram perdurando ao longo do tempo.
Orlando Figueiredo fala ainda da floresta, que era uma fonte de rendimento na região, e defende, a este nível, a importância da limpeza para a prevenção, bem como da abertura de estradões e acessos aos pinhais.
No plano social, o seu testemunho aborda temas como a Guerra do Ultramar e as alterações que trouxe o 25 de abril, com a vida a mudar de forma significativa. Ainda assim, as alterações positivas não chegaram para impedir que muita gente procurasse melhores oportunidades através da emigração.