António de Paiva nasceu a 22 de dezembro de 1935, em casa, na localidade de Sá, no concelho de São Pedro do Sul. Diz-se que a parteira o apanhou com um lençol de linho gelado e que, por isso, ficou “arreganhado”. Só mais tarde, quando lhe deram uma chucha de pano com açúcar, é que começou “a arribar”. 

O seu pai, garante, “fartou-se de trabalhar para que nada faltasse aos oito filhos”, mesmo quando a casa da família ardeu por completo. Como não tinham condições para reconstruir o imóvel, a mãe foi pelas aldeias pedir, com o seu irmão, na altura com três semanas de vida, ao colo. 

António de Paiva estudou até à 4ª classe, numa escola cheia, onde as crianças chegavam de todas as aldeias das redondezas. Fora do ensino, ia com o rebanho das ovelhas e brincava nas ruas, como era comum naquela altura. 

O trabalho nos campos foi a sua principal atividade até ir para a tropa, onde ficou três anos, dois dos quais passados na Índia. 

Apesar das dificuldades, garante que “tudo se governou, até melhor do que agora”. 

No seu caso, chegou a dormir muitas vezes no apeadeiro do comboio em Marvila, até que uns vizinhos o acolheram. E numa das vindas, de férias, conheceu a futura esposa, com a qual se casou em 1965, no dia de Natal, em São Martinho das Moitas. 

O casal decidiu ir para Lisboa em busca de melhores condições de vida e aí criou as filhas. 

António de Paiva trabalhou mais de 20 anos nos armazéns de vinhos e todos os domingos ia para o baile, na Rua do Açúcar, onde também se juntavam os conterrâneos de Cinfães para as Contradanças. “Só se estivesse doente é que não ia”, brinca. 

Perante o movimento e o crescimento da capital, as diferenças eram muito sentidas quando vinha até à terra que o viu nascer.