Na “grande caminhada” que é a história da Assembleia de Compartes de Rebordinho e Malhadouro, António Carvalho começa por recordar os primórdios da sua constituição. Até 1994, os baldios da freguesia, incluindo os de Rebordinho, eram geridos pela Junta de Campia, que aqui encontrava uma fonte de receita.

Porém, as tomadias e a delapidação de pinheiros, que eram do conhecimento da população, levaram a um descontentamento quase generalizado. Em 1993, a contestação subiu de tom, quando a Junta de Freguesia, acabada de tomar posse, sinalizou lotes de árvores para abate junto à aldeia, sem que os habitantes sentisses que havia o correspondente investimento.

Foi convocada, de urgência, uma reunião, na véspera da venda da madeira, a que acorreu muita gente. No encontro, recorda António Carvalho, foi deliberada a constituição dos compartes e a eleição de representantes que, no dia seguinte, impugnaram a transação.

A oficialização da instituição deu-se a 4 de março de 1994, numa assembleia em que Celestino Lopes Tavares, Afonso Pereira Fontes e António Pereira assumiram, respetivamente, a presidência do Conselho Diretivo, da Mesa da Assembleia e da Comissão de Fiscalização.

O caderno de recenseamento dava conta da existência de 272 compartes, todos com igualdade de direitos.

Ultrapassada a fase burocrática, seguiram-se as obras, com António Carvalho a destacar a abertura da estrada para o chamado aterro sanitário, que rasgou o baldio de Rebordinho, e a exploração de outra riqueza, a pedra. Mais tarde, em fevereiro de 2001, arrancou a construção da Casa dos Compartes, que viria a ser inaugurada no ano seguinte. O responsável fala de “um dia significativo para as duas povoações”, que passaram a ter um edifício polivalente que acolhe eventos de vária natureza.

A instalação da rede de saneamento, por sua vez, não reuniu acordo, dado que seria feita por fases, e não avançou.

Em outubro de 2017, o Conselho Diretivo foi confrontado com a devastação do fogo. Embora se tenha realizado algum dinheiro com a venda de madeira queimada, obrigou a uma gestão espartana, pois condicionou os rendimentos dos anos seguintes.

As boas decisões levaram a que fosse aprovado um voto de louvor interno.

Mais recentemente, os dirigentes da Comunidade Local de Baldios desenvolveram o fabrico de armadilhas para o combate à vespa asiática, uma medida que, para António Carvalho, tem um alcance social e educativo muito importante.

Sobre as suas próprias vivências no setor e na instituição, o presidente da Comissão de Fiscalização defende que “temos o dever de zelar por aquilo que é nosso”.