Com a constante usurpação de baldios, instalou-se, no final de 1993 e início de 1994, um murmúrio de lamentos entre a comunidade de Rebordinho. A preocupação era partilhada pelo matador de porcos, António João Pereira, que tinha sido presidente da Comissão Administrativa a seguir ao 25 de abril de 1974 e posterior presidente da Junta de Freguesia, e deu conta deste descontentamento a Amadeu Soares.
Habituado a estas lides, o habitante disponibilizou-se para tratar da burocracia e falou com o médico Fernando Tavares, que tinha um maior conhecimento das pessoas, para proceder à convocatória dos moradores, subscrita por dez elementos.
A assembleia, conta Amadeu Soares, foi feita em contrarrelógio, de modo a suspender a venda de mais madeira, já sinalizada pela Junta de Freguesia de Campia, que estava marcada para 5 de março de 1994.
Na reunião, em que integrou a mesa provisória que conduziu os trabalhos, foi feita a eleição dos órgãos sociais e o caderno de recenseamento, que se fixou, com um ajuste posterior, em 229 elementos.
A Assembleia de Compartes passava, então, a assumir a administração dos baldios, mas garantia a intenção de continuar a colaborar com as associações da freguesia e a Câmara de Vouzela.
A ata, recorda o morador, foi feita noite dentro. No dia seguinte, Fernando Dias Eirinha, com duas testemunhas, o próprio e Aventino Maria Pereira, entregou a intimação para suspender a arrematação, notificando os elementos da Junta de Freguesia.
A partir daí, entraram em funcionamento os órgãos sociais da Assembleia de Compartes, que começaram com a limpeza dos baldios e fizeram um protocolo com a Câmara Municipal, que permitiu a criação de uma estrada alcatroada a rasgar os terrenos, em troca da instalação do aterro sanitário nas imediações. Foi construído também um tanque de combate a incêndios e ganhou forma a sede do organismo, entre outras obras.
Amadeu Soares não tem dúvidas de que a povoação e a freguesia só lucraram com os compartes, embora possa haver sempre uma ou outra discordância em relação às decisões. “A gestão de um pequeno organismo é sempre exigente”, defende, notando que se trata de uma atividade difícil, mas muito proveitosa e que trouxe desenvolvimento.